Muitos restaurantes têm bom volume de pedidos no iFood e mesmo assim terminam o mês sem entender onde a margem foi embora. O movimento existe, as avaliações são boas, mas o resultado financeiro não fecha do jeito esperado. Em outros casos, o dono está começando agora e não sabe se entra no iFood logo de cara ou se monta um canal próprio desde o início.

Essa dúvida é mais comum do que parece, e a resposta depende menos de opinião e mais de matemática. Este artigo compara os dois modelos pelos números: quanto cada um custa, o que sobra por pedido e em que situação cada opção faz mais sentido. Serve tanto para quem está começando quanto para quem já usa o iFood e quer entender se chegou a hora de diversificar.

Como o iFood funciona financeiramente

O iFood oferece dois modelos principais para restaurantes:

Entregue pelo iFood: a plataforma cuida da logística de entrega. O entregador é da rede do iFood e o restaurante não precisa ter motoboy próprio. Em troca, a comissão cobrada é maior, em média entre 20% e 27% do valor do pedido, dependendo do contrato, da região e do volume do estabelecimento.

Entregue por Mim: o restaurante gerencia a entrega. A plataforma conecta o cliente ao restaurante, processa o pedido e o pagamento, mas o entregador é do próprio negócio. A comissão é menor, em média entre 12% e 16%, mas o custo do entregador passa a ser responsabilidade do restaurante.

Além da comissão percentual, o iFood pode cobrar uma taxa fixa por pedido processado, que varia por contrato.

Promoções e campanhas: quando o restaurante participa de campanhas do iFood (como descontos e frete grátis), o custo da promoção é geralmente dividido entre a plataforma e o restaurante conforme as regras de cada campanha. Participar aumenta a visibilidade, mas também reduz a margem por pedido durante o período.

Os percentuais de comissão variam por contrato, volume e região. Os valores acima são referência de mercado. Consulte a área comercial do iFood para saber os valores exatos do seu contrato.

Como o delivery próprio funciona financeiramente

No delivery próprio, a plataforma de pedidos é substituída por um canal direto: um link de cardápio digital, um número de WhatsApp estruturado ou uma plataforma de pedidos do próprio restaurante. Você recebe o pedido e gerencia a entrega. Os custos são diferentes dos do iFood e, em muitos casos, mais previsíveis.

Entregador: é o maior custo variável do delivery próprio. As opções mais comuns são:

  • Motoboy CLT: salário fixo mais encargos. Faz sentido quando o volume de pedidos é alto e constante o suficiente para ocupar o profissional em tempo integral.
  • Motoboy autônomo por diária ou hora: custo variável, sem vínculo empregatício. Indicado para volumes intermediários ou operações em crescimento.
  • App de frete por corrida (como Lalamove ou similares): você paga por entrega realizada. O custo fica entre R$ 8,00 e R$ 15,00 por corrida na maioria das cidades, dependendo da distância.

Plataforma de pedidos: é a mensalidade de uma ferramenta de cardápio digital ou sistema de pedidos online. O valor varia bastante entre as soluções, mas o custo costuma ser fixo, o que significa que quanto mais pedidos você tiver, menor será o custo por unidade.

Embalagem: igual ao iFood. Caixas, sacolas e selos de entrega ficam por conta do restaurante nos dois modelos.

Marketing e aquisição de clientes: no iFood, o algoritmo distribui o seu restaurante para quem está procurando. No delivery próprio, você precisa atrair o cliente por conta própria, seja pelas redes sociais, WhatsApp, panfleto ou fidelização. Esse custo pode ser baixo se a base de clientes já existir, ou mais alto se você estiver construindo a audiência do zero.

Margem real por pedido: o que muda na prática

Comparar os dois modelos exige olhar além da comissão percentual. No plano “Entregue pelo iFood”, a plataforma cuida da entrega, o que parece conveniente, mas cobra mais por isso. No “Entregue por Mim”, a comissão é menor, mas o custo do entregador passa a ser seu. O resultado final dos dois costuma ser parecido; a diferença real depende de quanto custa o entregador no seu caso específico.

No delivery próprio, a margem tende a ser melhor, mas só se o restaurante já tiver estrutura de entrega. Se você ainda precisar contratar entregador e pagar mensalidade de plataforma para um volume baixo de pedidos, o custo por pedido sobe bastante e a vantagem some.

Quando o iFood compensa

O iFood faz sentido em situações específicas onde a comissão é justificada pelo que a plataforma entrega em troca.

Negócio novo sem base de clientes. O iFood entrega visibilidade imediata para um restaurante que ainda não é conhecido. Sem tráfego orgânico, sem seguidores nas redes e sem clientes recorrentes, construir um delivery próprio do zero é muito mais difícil e demorado. A comissão, nesse contexto, funciona como custo de aquisição de clientes.

Produto com margem alta que aguenta a comissão. Se o prato que sai no delivery tem CMV baixo e preço de venda alto, a comissão do iFood não compromete o resultado. Hambúrgueres artesanais, pratos elaborados com ingredientes de baixo custo e bebidas são exemplos onde a conta pode fechar bem mesmo com 20% ou mais de comissão.

Teste de mercado antes de investir em estrutura. O iFood permite validar se existe demanda para o seu delivery antes de contratar entregador, assinar plataforma própria e criar processo interno. É um ponto de entrada com risco controlado.

Sem condições de gerenciar entregadores. Contratar, treinar e gerenciar motoboys dá trabalho. Para restaurantes com operação enxuta, o modelo “Entregue pelo iFood” elimina essa responsabilidade, com uma comissão maior em troca.

Expansão para novos bairros ou regiões. O algoritmo do iFood distribui o seu restaurante para clientes pela geolocalização. Para alcançar bairros onde a marca ainda não é conhecida, a plataforma funciona como um canal de distribuição geográfico.

Quando o delivery próprio compensa

O delivery próprio começa a fazer mais sentido quando a estrutura já existe e os clientes já conhecem o restaurante.

Base de clientes fidelizada. Se uma boa parte dos pedidos no iFood vem das mesmas pessoas todo mês, esses clientes já conhecem e confiam no seu restaurante. Eles podem migrar para um canal direto (WhatsApp, cardápio digital, link de pedidos) sem que você perca o relacionamento com eles.

Ticket médio alto. Cada ponto percentual de comissão representa mais dinheiro em pedidos de valor elevado. Um pedido de R$ 150,00 com 23% de comissão deixa R$ 34,50 na plataforma. Com um canal próprio, esse valor fica no seu bolso.

Margem apertada onde cada real importa. Quando o negócio já opera no limite (insumos caros, aluguel alto, mão de obra pesada), a comissão do iFood pode inviabilizar o modelo financeiro do delivery. Nesses casos, ter um canal próprio não é conveniência, é necessidade.

Motoboy ou entregador já na folha. Se o restaurante já tem entregador próprio, seja para atender o salão ou receber pedidos pelo WhatsApp, o custo marginal de operar um canal de delivery próprio cai muito. O entregador já está pago.

Volume alto de pedidos por mês. Com muitos pedidos, a mensalidade fixa de uma plataforma própria se dilui bastante por unidade. Um restaurante que faz 400 pedidos por mês com uma plataforma de R$ 200,00 de mensalidade tem custo de R$ 0,50 por pedido, bem abaixo de qualquer comissão percentual.

Para quem está começando do zero

Se o seu restaurante ainda não tem nenhum canal de delivery, a decisão mais comum é entrar pelo iFood primeiro. Faz sentido: a plataforma entrega clientes sem que você precise construir audiência do zero, e o processo de cadastro é relativamente simples.

O risco de começar só pelo iFood é criar dependência do algoritmo antes de construir qualquer base própria. Se você nunca pede o contato do cliente, nunca incentiva um segundo pedido fora da plataforma e nunca constrói uma lista de WhatsApp ou de seguidores, vai ser difícil migrar clientes para um canal próprio no futuro.

Uma estratégia mais equilibrada: usar o iFood como canal de aquisição e, ao mesmo tempo, incentivar que clientes recorrentes peçam diretamente. Um cartão na embalagem com QR Code para o cardápio digital, uma mensagem de agradecimento pelo WhatsApp com link de pedido, um desconto na próxima compra direta. Esses gestos simples já começam a construir o canal próprio sem você precisar abandonar o volume do iFood.

Para quem já está no iFood

Se você já opera no iFood e está avaliando se chegou a hora de montar um canal próprio, quatro métricas ajudam a tomar essa decisão:

Percentual de clientes recorrentes. Se você consegue identificar que uma parte relevante dos pedidos vem das mesmas pessoas todo mês, esses clientes já podem migrar para um canal direto. A fidelização já aconteceu. O iFood só está cobrando por ela.

Margem por pedido atual. Calcule o que sobra de cada pedido depois da comissão, do entregador e da embalagem. Se a margem estiver abaixo do que o negócio precisa para ser sustentável, o canal de delivery está sendo subsidiado pelo salão, e isso não escala.

Volume mensal de pedidos. Com volume alto, a mensalidade de uma plataforma própria se dilui a ponto de o custo fixo por pedido ser muito menor do que a comissão percentual do iFood. O break-even entre os dois modelos depende do seu volume e do custo da plataforma que você escolher.

Capacidade operacional de gerenciar entregadores. Ter canal próprio com “Entregue por Mim” ainda exige estrutura de entrega. Se o restaurante não tem condições de gerenciar isso agora, o canal próprio pode funcionar para pedidos de retirada (take away) ou em zonas de entrega curta, enquanto o iFood cobre o restante.

Canal próprio de delivery: uma opção para quem quer começar

Para restaurantes que decidem montar ou experimentar o delivery próprio, o Capital Food é o cardápio digital da Catedral Automação, integrado diretamente ao Sistema Catedral. O cliente acessa o cardápio pelo celular, faz o pedido e o restaurante recebe direto no PDV, sem comissão por pedido e com mensalidade fixa. É uma das opções disponíveis no mercado para quem quer ter um canal de pedidos próprio sem depender de plataformas de terceiros.

Perguntas frequentes

Quanto o iFood cobra de comissão por pedido?

A comissão varia por modelo e contrato. No modelo “Entregue pelo iFood” (onde a plataforma cuida da entrega), a comissão fica em média entre 20% e 27% do valor do pedido. No modelo “Entregue por Mim” (onde o restaurante gerencia a entrega), a comissão fica entre 12% e 16%. Esses percentuais variam por região, volume e negociação contratual.

Vale a pena ter delivery próprio com poucos pedidos?

Depende do custo da plataforma e do modelo de entrega. Com volume baixo, a mensalidade de uma plataforma própria representa um custo alto por pedido. Nesse caso, o iFood pode ser mais eficiente financeiramente até o volume crescer. Muitos restaurantes usam os dois canais ao mesmo tempo: iFood para volume e canal próprio para clientes fidelizados.

Posso usar o iFood e ter delivery próprio ao mesmo tempo?

Sim. Os dois canais são complementares e a maioria dos restaurantes que tem delivery próprio também mantém presença no iFood. O iFood traz novos clientes; o canal próprio serve os que já conhecem o restaurante e preferem pedir diretamente, com margem melhor para o negócio.

Como o delivery próprio atrai clientes sem o algoritmo do iFood?

O canal próprio não tem tráfego orgânico automático; o restaurante precisa construir o seu. As formas mais comuns são: lista de WhatsApp com clientes que já compraram, QR Code na embalagem ou no salão apontando para o cardápio digital, redes sociais com link de pedido direto e indicações de clientes satisfeitos. Não é tráfego gratuito, mas é tráfego que você controla e sobre o qual não paga comissão.

Qual a diferença entre “Entregue pelo iFood” e “Entregue por Mim”?

No “Entregue pelo iFood”, a logística de entrega é da plataforma e o entregador é da rede do iFood. A comissão é maior porque inclui esse serviço. No “Entregue por Mim”, o restaurante contrata e gerencia o entregador. A comissão é menor, mas o custo do entregador passa a ser sua responsabilidade. A escolha entre os dois depende do volume de pedidos, da disponibilidade de entregadores e da capacidade operacional do negócio.